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Pelo menos quatro dos 15 agentes da PSP detidos em Lisboa são suspeitos de plantar droga em detidos

Homem sendo interrogado por policial em sala com evidências e outros policiais ao fundo.

Interrogatórios judiciais e libertações

Pelo menos quatro dos 15 agentes da PSP detidos nesta semana, em Lisboa, por suspeitas de crimes de tortura, abuso de poder e agressões, teriam colocado droga nos bolsos de pessoas detidas para incriminá-las e viabilizar prisões por tráfico de entorpecentes.

Na noite de quinta-feira, 14 policiais ainda estavam sendo ouvidos em interrogatórios judiciais por uma juíza de instrução criminal. A magistrada determinou a libertação de um agente da PSP e de um civil - vigilante - por entender que ambos haviam sido detidos de forma ilegal. O agente Mário Vaz Maia, irmão do cantor Nininho Vaz Maia, permanecia detido.

Suspeitas de plantar droga para incriminar

Conforme a apuração feita na própria PSP e no Ministério Público, além de espancarem, humilharem ou torturarem pessoas detidas em situação de vulnerabilidade social - e de submetê-las a gravações com o objetivo de abastecer grupos de WhatsApp -, alguns policiais também teriam fabricado provas para responsabilizar as vítimas.

Segundo informações apuradas pelo JN, os agentes Guilherme L., Gonçalo R., David O. e João M. - este, na condição de graduado de serviço - são suspeitos de acrescentar ecstasy e haxixe aos itens apreendidos de dois imigrantes que haviam sido detidos por posse de droga.

Em julho de 2024, Guilherme e Gonçalo abordaram um cidadão da Gâmbia no Bairro Alto. Sem lavrar qualquer auto de ocorrência, recolheram alguns pedaços de haxixe e o mandaram embora, advertindo que não queriam vê-lo novamente naquela noite. Ainda assim, pouco tempo depois, voltaram a encontrá-lo no Cais do Sodré e decidiram levá-lo para a Esquadra do Rato.

Água pelo nariz

Algemado a um banco, ele teria levado socos e coronhadas na cabeça. Ao dizer que estava com sede, o imigrante teria recebido água pelo nariz. Também foi fotografado para o grupo de WhatsApp. Em seguida, para sustentar a detenção, Guilherme teria acrescentado comprimidos de ecstasy ao haxixe apreendido na primeira abordagem.

Em fevereiro do ano passado, um cidadão brasileiro foi conduzido à esquadra do Bairro Alto depois de ser perseguido e interceptado com cinco gramas de haxixe. Ele foi agredido, e outra bolota de droga teria sido adicionada para reforçar a detenção. O homem ficou cinco dias afastado por motivo de saúde.

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